Comentários repetidos ao longo da vida podem se transformar em verdades absolutas na nossa mente. A boa notícia é que o cérebro pode reaprender a focar no que fortalece.
Por Carol Viotto
As palavras carregam um peso que nem sempre percebemos no momento em que são ditas. Algumas simplesmente passam, mas outras decidem ficar. Frases como “você é difícil”, “você é sensível demais” ou “isso não é para você” frequentemente deixam de ser apenas comentários alheios. Com o tempo, elas se infiltram na mente e passam a moldar a forma como enxergamos a nós mesmos.
A psicologia explica esse fenômeno de forma clara. Nossas crenças sobre quem somos e sobre o mundo ao nosso redor são construídas pelas experiências e, principalmente, pelas mensagens que recebemos repetidamente ao longo da vida. É nesse terreno que nascem as crenças limitantes. São aquelas vozes internas silenciosas que insistem em dizer: “eu não sou capaz”, “não sou bom o suficiente” ou “vou decepcionar as pessoas”. Muitas vezes, o indivíduo sequer percebe que está refém desses pensamentos.
Podemos comparar as palavras a sementes. Quando plantadas em solo fértil, elas florescem em autoestima, coragem e segurança. Por outro lado, as palavras negativas crescem como ervas daninhas, sufocando os espaços que deveriam ser ocupados pela confiança e pela esperança.
A ciência já comprovou que o nosso cérebro fortalece os caminhos que percorremos com mais frequência. Quanto mais repetimos um pensamento, mais natural ele se torna. No entanto, o cérebro também possui a incrível capacidade de criar novas rotas. Portanto, crenças limitantes não são sentenças definitivas. Aquilo que um dia fez sentido para uma criança assustada, rejeitada ou insegura não precisa, obrigatoriamente, definir o adulto de hoje.
Existe uma diferença imensa entre reconhecer que se cometeu um erro e se rotular como o próprio erro. As palavras, por si só, não mudam a realidade, mas mudam a forma como caminhamos dentro dela.
Por isso, é fundamental pensar antes de verbalizar — tanto o que dizemos a quem amamos quanto o que repetimos para nós mesmos todos os dias. Vale a pena prestar atenção nas histórias que contamos sobre nós. Enquanto algumas narrativas nos aprisionam, outras nos devolvem a possibilidade de crescer.
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Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862