PUBLICIDADE

Carol Viotto | “Hoje em dia todo mundo tem alguma coisa?”

O aumento nos diagnósticos de TDAH, autismo e ansiedade levanta o debate: a sociedade adoeceu ou apenas aprendemos a dar nome ao que antes era tratado como frescura?

É comum ouvir frases como: “Hoje todo mundo tem TDAH”, “Agora qualquer pessoa é autista”, “Virou moda ter ansiedade”, ou “Antigamente isso não existia”. Mas será que realmente existem mais pessoas com transtornos e diagnósticos, ou apenas começamos a compreender melhor o funcionamento humano?

O cérebro humano nunca foi completamente estável, previsível ou igual para todos. Não somos robôs. Somos emocionais, subjetivos, instáveis e profundamente influenciados pelas experiências, ambiente, genética, relações e pela forma como aprendemos a lidar com o mundo.



📱 Participe do Canal Acontece Assis no WhatsApp, e Receba em Primeira Mão Todas as Notícias. Clique Aqui!


Ansiedade, TDAH, autismo, altas habilidades e outras condições não surgiram “de repente”. Muitas delas sempre existiram, mas por falta de conhecimento e estudos, eram vistas de outras maneiras. Crianças com TDAH eram chamadas de “preguiçosas”, “desobedientes” ou “mal educadas”. Pessoas autistas eram consideradas “estranhas”, “difíceis” ou “antissociais”. Indivíduos com altas habilidades, muitas vezes, eram incompreendidos, isolados ou tratados apenas como “diferentes”.

Hoje, temos mais acesso à informação, pesquisas e profissionais capacitados para identificar padrões que antes passavam despercebidos. Isso não significa que “todo mundo está doente”, mas sim que estamos aprendendo a olhar para a saúde mental e para o neurodesenvolvimento com mais atenção e menos preconceito.

Claro que existe exagero nas redes sociais e uma banalização de alguns termos. Nem toda distração é TDAH, nem toda timidez é autismo, nem toda tristeza é depressão. Porém, invalidar completamente o sofrimento e as dificuldades das pessoas também é um erro.

O desafio está justamente no equilíbrio: nem transformar tudo em diagnóstico, nem ignorar sinais importantes por acreditar que “isso é frescura” ou “moda”.

Entender o funcionamento humano exige menos julgamento e mais escuta. Afinal, as pessoas não começaram a sentir tudo isso agora. Talvez, apenas tenham começado a ter nome, explicação e acolhimento para aquilo que durante muito tempo foi tratado apenas como defeito de personalidade.

É imprescindível procurar os profissionais certos, estudar sobre o assunto e confiar no tratamento.

Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862

Leia mais

PUBLICIDADE