A prefeita de Assis, Telma Spera, acionou o Poder Judiciário para solicitar a instauração de um inquérito policial que apure indícios de falsidade ideológica na abertura de um pedido de Comissão Processante (CP) contra a sua gestão. Em meio a um cenário de reviravoltas e declarações contraditórias da autora da denúncia, a Câmara Municipal suspendeu temporariamente a análise do processo.
A petição oficial do Executivo (Processo nº 1003561-63.2026.8.26.0047) requer o envio urgente do caso ao Ministério Público e à Polícia Civil. O objetivo é investigar e identificar os responsáveis pela elaboração e execução da denúncia.
A polêmica teve início após a munícipe Terezinha Lovisi da Silva, registrada como a autora do pedido protocolado em 14 de agosto, declarar em entrevista a Rádio Difusora que não tinha a intenção de denunciar a prefeita. Ela relatou ter sido enganada, afirmando que colheram sua assinatura sob a justificativa de que se tratava apenas de um abaixo-assinado de interesse comunitário.
Provas e mudança de versão
Com base nesse primeiro relato, a defesa da prefeita apontou um grave vício de consentimento. Segundo os advogados, existem mensagens de WhatsApp que indicam uma articulação política para forjar o apoio popular à CP, sugerindo inclusive o suposto envolvimento de um vereador na manobra. Além disso, a prefeitura solicitou as imagens do circuito de segurança do Legislativo para comprovar quem efetivamente entregou o documento.
No entanto, o caso sofreu uma reviravolta poucas horas depois. Em uma nova entrevista, concedida a outro portal de notícias da cidade, Terezinha Lovisi da Silva mudou sua versão. A munícipe afirmou que se sentiu “coagida”, mas admitiu que assinou o documento e depois foi pessoalmente à Câmara Municipal para confirmar a denúncia.
A prefeitura divulgou uma nota lamentando o episódio, classificando a situação como uma “armação” e fraude à fé pública para atacar a atual administração.
Análise suspensa no Legislativo
Diante do conflito público de narrativas, o presidente da Câmara Municipal de Assis, Paulinho Matiolli, decidiu suspender a tramitação do processo nesta semana. O parlamentar informou que o Legislativo convocará a denunciante para uma reunião, a fim de esclarecer sob quais circunstâncias a assinatura foi colhida e confirmar, de forma definitiva, se ela reconhece o teor da denúncia antes que o pedido seja enviado ao plenário.