Um levantamento recente mapeou como profissionais ligados às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs) percebem o uso da Inteligência Artificial (IA) na gestão e no cuidado clínico. Entre 52 dirigentes e gestores consultados, 92,3% relataram ter alguma experiência pessoal com a tecnologia. Por outro lado, apenas 26,9% afirmaram que suas instituições já utilizam a ferramenta no dia a dia.
O estudo reuniu dados de 323 inscritos em um workshop nacional sobre o tema, sendo 237 profissionais diretamente ligados às APAEs. Para esses participantes, a discussão sobre tecnologia deve focar em problemas reais. Os maiores desafios enfrentados pelas unidades, segundo a pesquisa, são as filas e a alta demanda por atendimento (36,3%), seguidas pela necessidade de capacitação das equipes (29,1%) e a falta ou rotatividade de especialistas (25,7%).
Além disso, a pesquisa identificou onde a inovação poderia contribuir mais para o funcionamento das entidades. A produção de indicadores e relatórios lidera as expectativas (44,7%), acompanhada pelo registro e acompanhamento da evolução dos pacientes (42,6%) e pela capacitação de profissionais (41,4%). Em contrapartida, a maior preocupação dos gestores em relação à IA é a precisão e a confiabilidade dos resultados, obstáculo mencionado por 26,6% dos entrevistados.
Evidências e ferramentas de apoio
Gabriel Cirino, fundador da desenvolvedora Braine e doutorando na Universidade de São Paulo (USP), destaca que experimentar uma ferramenta é diferente de incorporá-la ao cuidado clínico. “O uso institucional exige evidências, proteção de dados, preparação das equipes e responsabilidades claras. A tecnologia pode apoiar o trabalho, mas não substitui o vínculo, a decisão profissional nem a responsabilidade humana”, explica Cirino.
Para demonstrar aplicações seguras, o encontro técnico apresentou o AURA-T. A plataforma atua como a primeira ferramenta de teletriagem orientativa baseada em evidências para neurodiversidade no Brasil, auxiliando na identificação inicial de sinais de autismo e TDAH. Outra iniciativa apresentada foi o CARE360°, sistema voltado à organização da informação e à continuidade do cuidado multidisciplinar nas instituições.