Polícia Civil conclui inquérito do caso Samuel e indicia comerciante por homicídio doloso

Laudo do IML aponta que traumatismo craniano causado por agressões foi a causa da morte; delegado afirma que autor, mestre de capoeira, assumiu o risco de matar por furto de R$ 4,50.

A Polícia Civil de Assis encerrou nesta quarta-feira, 4, o inquérito sobre a morte de Samuel, ocorrida no último dia 24 de fevereiro.

O proprietário de um estabelecimento comercial, que confessou as agressões, foi indiciado por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e exercício arbitrário das próprias razões (“justiça com as próprias mãos”).



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Em entrevista coletiva, o delegado responsável pelo caso, Dr. Giovanni Bertinatti detalhou que a investigação desmentiu boatos de que o autor teria sido solto. “Ele permanece preso. A prisão temporária é de 30 dias e pode ser convertida em preventiva”, afirmou a autoridade.

O comerciante, que é professor aposentado de capoeira, alegou em depoimento que pretendia apenas aplicar um “corretivo” na vítima, a quem acusava de furtos recorrentes.

A causa da morte e o perfil da vítima

Embora o investigado tenha gravado vídeos e alegado que a vítima sofria de problemas de saúde, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi taxativo: Samuel morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por diversos golpes na região da face e do crânio.

A investigação também rebateu a tese de que Samuel seria um criminoso habitual. O levantamento da vida pregressa revelou:

  • Ficha limpa: Samuel não possuía registros de furtos ou roubos anteriores.
  • Vulnerabilidade: A vítima era descrita pela comunidade como uma pessoa pacífica, mas com saúde fragilizada por um quadro severo de alcoolismo.
  • Futilidade: O estopim das agressões foi o suposto furto de um “corote” de pinga, avaliado em R$ 4,50.

Conhecimento técnico em artes marciais

Um ponto crucial para o indiciamento por homicídio doloso (quando há intenção ou se assume o risco de matar) foi a formação do agressor. Por ser mestre em artes marciais (Capoeira), a polícia entende que ele detinha conhecimento técnico sobre a letalidade de seus golpes. “Sendo um professor, ele deveria ser mais zeloso. Ao agredir uma pessoa frágil na região da cabeça, ele assumiu o risco do resultado morte”, pontuou o delegado.

O caso agora segue para o Ministério Público e para o Poder Judiciário. Se a denúncia for aceita nos termos do indiciamento, o comerciante deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri.

Confira na integra a coletiva de impresa, dada pelo Delegado Dr. Giovanni Bertinatti:

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