Justiça investiga ‘litigância abusiva’ em ação que suspendeu pagamentos da UPA de Assis

Autor do processo, morador de Ourinhos, moveu ações idênticas em várias cidades do Estado usando apenas recortes de notícias. Alerta partiu de um juiz da comarca de Araras.

O imbróglio jurídico envolvendo o contrato de gestão da UPA Ruy Silva, em Assis, acaba de ganhar um novo e preocupante capítulo. O Poder Judiciário acendeu um sinal de alerta vermelho para a possibilidade de “litigância abusiva” no caso — uma prática que ocorre quando o sistema de Justiça é utilizado de forma excessiva, distorcida ou com más intenções.

O alerta formal partiu de um juiz da comarca de Araras (SP), que enviou um ofício diretamente à Vara da Fazenda Pública de Assis apontando um padrão altamente suspeito nas ações movidas pelo autor do processo.



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O que está em jogo na UPA?

Toda a polêmica começou quando uma “ação popular”, movida por um morador da cidade de Ourinhos, questionou a legalidade do contrato da UPA de Assis. A ação teve um impacto imediato e grave: levou a Justiça a suspender os pagamentos da Prefeitura à empresa responsável pela gestão da unidade, autorizando apenas o repasse restrito para o pagamento dos salários dos funcionários.

O padrão suspeito

Ao cruzar dados e analisar casos semelhantes pelo Estado, o juiz de Araras identificou que o mesmo autor (o morador de Ourinhos) entrou com ações idênticas em diversas cidades paulistas num curtíssimo período de tempo. Além de Assis e Araras, o município de Jaú também foi alvo.

O que levantou a suspeita de abuso é o modus operandi: em todas as ações, o autor utiliza argumentos genéricos e baseia suas acusações apenas em links de notícias de internet, sem apresentar provas ou apontar irregularidades concretas nos contratos que tenta barrar.

Combate ao abuso judicial

A comunicação entre os juízes para frear esse tipo de conduta segue uma diretriz nacional: a Recomendação nº 159/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento orienta os magistrados de todo o país a identificarem e combaterem ativamente a litigância abusiva, evitando que o sistema judiciário seja “inundado” e travado por ações sem fundamento legal sólido.

Próximos passos

Com o ofício em mãos e o alerta formalizado, a Justiça de Assis agora analisa detalhadamente se a ação contra a UPA é legítima ou se configura, de fato, um uso indevido do sistema judicial.

A decisão é aguardada com expectativa, pois uma paralisação indevida de contratos ou bloqueios de verbas baseados em ações abusivas pode impactar diretamente a gestão e o atendimento da saúde pública no município. O caso segue em andamento e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.

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