O tempo é soberano. Não importa quem você seja, ele irá passar. Não há quem consiga escapar dele ou pará-lo para se organizar, se curar, entender o que aconteceu ou simplesmente se preparar para seguir.
Você já teve a impressão de que o tempo está demorando demais ou passando rápido demais? Já sentiu que tem pouco tempo para tantas coisas ou, ao contrário, que as horas parecem não passar quando o tédio aparece?
Há quem goste das rugas que o tempo traz e há quem fuja delas. Há quem esconda a idade e há quem se orgulhe do passado e faça questão de lembrar o tempo vivido. Cada pessoa se relaciona de uma maneira diferente com os anos que passam, mas existe algo que todos temos em comum: ninguém consegue negociar com o tempo.
O tempo é imune ao poder financeiro, à vontade e ao querer. Ele passa mesmo que você não queira. Amanhã, o sol nascerá independentemente do seu luto ou da sua dor. Os dias continuarão passando, mesmo que você sinta que precisa de mais tempo para se organizar.
Talvez essa seja uma das verdades mais difíceis da vida. Nem sempre conseguimos acompanhar o ritmo das coisas. Às vezes, algo acontece e precisamos parar, respirar, entender. Mas o mundo não para conosco.
E isso não significa que precisamos ignorar nossa dor ou fingir que estamos bem. Significa apenas que a vida continua acontecendo, mesmo nos períodos em que nós gostaríamos de pedir uma pausa.
Tenho escutado muito que o tempo está “voando”. A correria talvez tenha sua parcela nisso, mas será que estamos realmente vivendo ou apenas sobrevivendo aos nossos dias?
Talvez o problema não seja apenas a velocidade com que o tempo passa, mas a forma como temos ocupado esse tempo. Acordamos pensando no que precisamos resolver, passamos o dia tentando dar conta de tudo e, quando percebemos, mais uma semana terminou.
Esperamos pelo fim de semana. Depois esperamos pelas férias. Esperamos o momento certo para começar algo, para fazer uma viagem, para mudar de trabalho, para ligar para alguém, para pedir desculpas, para dizer o que sentimos.
E muitas vezes, enquanto esperamos a vida melhorar, a vida está acontecendo.
Há oportunidades que realmente voltam. Outras, não. Existem pessoas que permanecem e outras que seguem caminhos diferentes. Existem momentos que acreditamos poder viver novamente, até percebermos que aquela fase, aquele lugar e até aquela versão de nós mesmos já ficaram para trás.
É importante lembrar de tempos que talvez nem soubéssemos que seriam tão importantes. Sentimos saudade de pessoas, de quem já fomos um dia, de lugares que pareciam comuns, das músicas. Ah, essa tal nostalgia que nos pega… O passado tem esse poder de ganhar novos significados quando olhamos para ele de longe. A dor que parecia infinita e se foi, a rotina que parecia nos apertar e hoje, olhada de “fora”, nem parece aquele monstro.
Não podemos voltar no tempo. Mas, podemos lembrar com carinho de tudo que passou e foi bom. Prestar mais atenção no presente e para isso, não precisamos estar completamente curados, nem ter todas as respostas para começar. Não precisamos organizar absolutamente tudo para dar o próximo passo.
Algumas pessoas esperam tanto pelo momento ideal que acabam percebendo, anos depois, que passaram mais tempo esperando do que vivendo.
Dar tempo ao tempo é importante. Mas, existe uma diferença entre respeitar o próprio tempo e usar o tempo como justificativa para permanecer parado. Porque, enquanto adiamos, o tempo continua.
Não temos controle sobre os dias que já se foram e não sabemos quantos ainda teremos. Mas podemos decidir o que fazer com o tempo que está em nossas mãos hoje.
Talvez a grande questão não seja se o tempo está voando rápido demais.
Talvez devêssemos nos perguntar: quando foi a última vez que realmente estivemos presentes na própria vida?
Porque o tempo continuará soberano. Ele continuará passando, trazendo mudanças, deixando marcas e levando consigo fases que não voltarão.
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Anne Caroline Viotto Romero
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