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Coluna Carol Viotto – Dinheiro é poder

Na coluna desta semana, Carol Viotto reflete sobre os impactos psicológicos das dificuldades financeiras e a estreita relação entre o bolso, a autonomia e a nossa saúde mental.

Dinheiro é poder. E, apesar de ouvirmos tantas vezes que dinheiro não compra felicidade, precisamos reconhecer que ele compra algumas coisas que se aproximam bastante da tranquilidade.

O que conseguimos fazer sem dinheiro? Quase nada.

Dinheiro não compra paz, mas pode diminuir muitas preocupações. Pode trazer a tranquilidade de saber que as contas serão pagas, que existe comida em casa, que o aluguel está garantido, que uma emergência pode ser enfrentada. Também traz poder de escolha. A possibilidade de dizer não para uma situação que não nos faz bem porque não dependemos financeiramente dela. A possibilidade de fazer planos, de viajar, estudar, cuidar da saúde, ajudar alguém.

Por isso, quando falamos sobre dificuldades financeiras, não estamos falando apenas sobre números.

As dívidas e as cobranças constantes podem ter um impacto psicológico enorme. A preocupação passa a ocupar espaço na cabeça o tempo todo. A pessoa acorda pensando em dinheiro e dorme pensando em dinheiro. Em como escapar das inumeras cobranças… Internas e externas. Começa a calcular o que pode pagar, o que precisa adiar, quem pode cobrar, qual conta vai vencer primeiro.



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A ansiedade aparece justamente nesse estado de alerta permanente! O mecanismo de defesa se torna constante. O medo de não conseguir pagar, de receber uma cobrança, de ter o nome negativado ou de não conseguir sustentar as necessidades básicas pode fazer com que a pessoa sinta que está sempre tentando apagar um incêndio. Também pode surgir a sensação de fracasso. Muitos começam a enxergar a própria dificuldade financeira como uma falha pessoal. A autoestima diminui, aparece a vergonha e isolamento social, porque não quer admitir que está sem dinheiro ou porque não consegue acompanhar os outros. A pessoa deixa de sair porque não pode gastar, recusa convites, evita encontros, para de falar sobre o assunto. Às vezes, começa a se afastar justamente das pessoas que poderiam oferecer algum tipo de apoio.

Dentro de casa, o problema também pode aparecer. Dinheiro é uma das razões mais frequentes de conflitos familiares e conjugais. As cobranças, as responsabilidades financeiras e a sensação de que um está carregando mais peso do que o outro podem transformar uma dificuldade financeira em um problema de relacionamento.

Em situações mais graves, o sofrimento pode chegar à depressão e, em casos extremos, até a pensamentos suicidas. Quando a pessoa não enxerga uma saída, a dívida deixa de ser apenas uma dívida e passa a representar, para ela, a sensação de que a própria vida saiu do controle.

Por isso, saúde financeira e saúde mental acabam se tornando complementares.

Uma dificuldade financeira pode afetar diretamente a saúde mental. E uma saúde mental fragilizada também pode prejudicar a capacidade de organizar a própria vida financeira. A pessoa ansiosa pode tomar decisões impulsivas. Pode gastar para aliviar uma angústia momentânea. Pode evitar olhar para as contas porque aquilo provoca sofrimento. Pode entrar em um ciclo de culpa, ansiedade e novas dívidas.

E quanto mais a dívida cresce, maior fica a ansiedade. É um ciclo difícil de interromper.

Além do sofrimento emocional, a inadimplência pode trazer consequências como restrição de crédito, dificuldade para conseguir determinados serviços, impossibilidade de fazer planos e, em situações mais graves, dificuldade até para manter em dia despesas básicas, como água, luz e aluguel.

Deixa de ser somente qualidade de vida. Mas, dignidade.

Ter o próprio dinheiro, ter independência financeira, não precisar pedir favores para conseguir fazer coisas básicas, poder escolher e conseguir concretizar alguns planos produz uma sensação importante de autonomia. E talvez, seja justamente por isso que o dinheiro tenha tanto poder sobre nós.

É necessário manter a calma para pensar antes de agir. Mas como manter a calma quando justamente a preocupação com dinheiro é o que tira essa calma?

Talvez o primeiro passo seja reconhecer que a dívida não define o valor de uma pessoa.

Ter dívidas não significa ser irresponsável, fracassado ou incapaz. Significa que existe um problema que precisa ser enfrentado. E problemas financeiros precisam de números, mas também precisam de saúde emocional para serem resolvidos.

Contato: 18 99808-2411
Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862

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