PUBLICIDADE

Coluna Carol Viotto – Até onde você está se perdendo para não perder alguém?

Na clínica, escuto com frequência pessoas que já não estão felizes em uma relação, mas também não conseguem sair dela. E quase sempre existe uma justificativa. Ou por acreditar na mudança do outro, ou por achar ser apenas uma fase difícil, ou por acreditar que pode recuperar a intensidade do início, ou medo de solitude.

Às vezes, a pessoa já sabe que aquela relação faz mal. Sabe que está sendo desrespeitada, diminuída, controlada, ignorada ou vivendo em função do outro. Sabe, mas continua. E é aqui que precisamos falar sobre dependência emocional sem romantizar.

Dependência emocional não é amar muito, não é ser intensa, não é ter medo de perder alguém porque aquela pessoa é importante. É quando a necessidade de ter o outro passa a ser maior do que a capacidade de cuidar de si mesma. A pessoa começa a aceitar coisas que antes dizia que nunca aceitaria, abandona amigos, muda comportamentos, deixa de fazer o que gosta, passa a medir cada palavra para não provocar uma discussão e começa a viver em função do humor do outro. E, aos poucos, já não sabe mais o que quer.

Sabe apenas o que precisa fazer para não ser abandonada.

O problema é que, nesse processo, a relação deixa de ser uma escolha. Você não fica porque quer, fica porque não consegue imaginar quem será se o outro for embora.

Também não acho justo dizer para alguém nessa situação simplesmente “tenha amor-próprio e vá embora”. Quem está emocionalmente dependente não acorda um dia e decide que vai se colocar em primeiro lugar. Existe medo, insegurança, história de vida, experiências anteriores, crenças sobre abandono e, muitas vezes, uma autoestima que foi sendo destruída aos poucos.



📱 Participe do Canal Acontece Assis no WhatsApp, e Receba em Primeira Mão Todas as Notícias. Clique Aqui!


Então sim, existe sofrimento real.

Mas, acolher esse sofrimento não significa incentivar a permanência nele. Você pode compreender o trauma do outro. Pode entender a infância difícil, as inseguranças, os problemas emocionais, as dificuldades financeiras, os momentos ruins. Mas, compreender não significa assumir a responsabilidade pela vida de outra pessoa.

Você pode amar alguém que não consegue te oferecer uma relação saudável. Pode amar alguém que não quer mudar. Pode amar alguém e, ainda assim, reconhecer que permanecer está te fazendo mal.

Isso não torna o sentimento falso. Mas, torna você responsável pelas escolhas que faz a partir dele. E uma das partes mais difíceis da dependência emocional seja justamente perceber que o medo de perder alguém pode fazer você perder coisas que também importam. Sua autonomia, amigos, trabalho, identidade, tranquilidade, capacidade de decidir.

Você começa tentando não perder o relacionamento e, quando percebe, está perdendo a si mesma.

E não, sair não é simples para todo mundo. Às vezes é necessário apoio psicológico, rede de proteção, organização financeira, reconstrução de vínculos e tempo. Em algumas relações, principalmente quando existe violência ou controle, sair exige planejamento e segurança.

Mas, tem uma diferença entre acolher a dificuldade de sair e transformar essa dificuldade em motivo para nunca tentar.

A dependência emocional merece compreensão. Mas, também precisa de enfrentamento. Porque você não precisa esperar chegar ao fundo do poço para perceber que está afundando.

Contato: 18 99808-2411
Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862

Leia mais

PUBLICIDADE