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Coluna Carol VIotto – Adultos que não aprenderam a se virar

Estamos falando muito sobre adultos cansados, sobrecarga, ansiedade, dificuldade de dar conta da vida. E sim, a vida adulta é cansativa. Só que existe uma diferença entre estar cansado e não saber se virar.

Tenho visto adultos que não sabem cozinhar, não sabem organizar uma casa, não sabem resolver um problema simples, não conseguem lidar com burocracias, não sabem cuidar das próprias coisas e, diante de qualquer dificuldade, procuram alguém para resolver, terceirizando responsabilidades.

E não estou falando de uma pessoa que não sabe fazer alguma coisa. Ninguém nasce sabendo. Estou falando de adultos que nunca aprenderam porque sempre houve alguém disposto a fazer por eles.

É mais confortável pedir comida do que aprender a cozinhar, é mais fácil deixar a mãe marcar a consulta, é mais simples pedir para o pai resolver o problema do carro, é mais cômodo deixar outra pessoa organizar as contas, a casa, os documentos e até decisões que já deveriam ser próprias.



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Só que chega uma hora em que isso deixa de ser cuidado e passa a ser falta de autonomia.

Não é “bonito” um adulto não saber fritar um ovo. Não porque fritar um ovo seja uma grande habilidade, mas porque, se você não sabe, deveria conseguir aprender. O problema não é não saber. O problema é achar que sempre haverá alguém para fazer.

E isso também aparece nos relacionamentos. Um adulto que espera que o parceiro faça tudo pode até chamar isso de “jeito de ser”, mas, na prática, alguém está carregando uma parte da vida que deveria ser dividida.

Precisamos tomar cuidado para não transformar toda dificuldade em incapacidade. Existem pessoas que realmente precisam de ajuda e existem situações em que pedir ajuda é necessário. Mas, também existe uma geração de adultos que foi protegida demais de coisas que precisavam aprender.

Frustração, esforço, responsabilidade e consequência também fazem parte do desenvolvimento. Fazer sozinho dá trabalho, aprender dá trabalho, errar dá trabalho, resolver um problema dá trabalho e não existe maturidade sem passar por algumas dessas coisas.

Talvez nossos filhos não precisem de pais que resolvam tudo antes que eles tentem, precisam de pais que permitam que eles tentem, errem, façam novamente e aprendam a lidar com aquilo que não é agradável. Porque depois que a infância passa, ninguém vai organizar a vida por eles.

E não, isso não significa que precisamos romantizar o sofrimento ou achar que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Não é. Mas, existe uma diferença enorme entre precisar de ajuda e não querer aprender porque é mais confortável que alguém faça. É importante analisar o contexto de vida, se há laudos que impeçam a funcionalidade desse adulto também.

Cansados todos estamos. A vida adulta exige muito. Mas, algumas coisas simplesmente precisam ser feitas.

Contato: 18 99808-2411
Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862

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