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Relatório final da CPI dos Combustíveis aponta supostas fraudes na Prefeitura de Assis

A Câmara Municipal de Assis realizou, na noite desta segunda-feira (4), a leitura do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis. O documento de 161 páginas aponta indícios de um esquema estruturado de fraudes no abastecimento de veículos oficiais das secretarias de Obras, Saúde e Educação do município.

Lido de forma alternada pelos vereadores Fernando Kiko e Reinaldo Nunes, o Português, o texto oficial afasta a hipótese de simples falhas no sistema eletrônico de gestão. As investigações revelaram possíveis manipulações de registros, uso irregular de cartões, divergências de quilometragem e abastecimentos totalmente incompatíveis com a capacidade dos tanques e com a rotina da frota.



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O dossiê detalha que as inconsistências vinham da gestão anterior. As supostas fraudes envolvem diretamente o então secretário municipal de Obras, Leandro Gonçalves Gabrigna. Durante o andamento dos trabalhos na comissão, a Polícia Civil deflagrou a Operação Veritas Vincit, que culminou na prisão do ex-secretário e em outras medidas judiciais.

A CPI ressaltou que enfrentou dificuldades durante a apuração, como demora no envio de documentos e informações contraditórias. Ainda assim, os parlamentares encontraram registros de abastecimentos atribuídos a servidores que sequer estavam trabalhando nos horários indicados pelo sistema.

Com a conclusão da leitura, a comissão exigiu a continuidade das investigações criminais. O relatório será encaminhado ao Ministério Público, à Polícia Civil, ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Os parlamentares cobram auditorias, a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos.

Voto divergente poupa prefeita e secretária

Logo após a leitura oficial, o vereador Zé Gotinha, membro titular da CPI, apresentou um voto divergente no plenário. Embora tenha concordado com parte das conclusões técnicas sobre as fraudes, ele discordou da tentativa de responsabilização direta da prefeita Telma Spera e da secretária de Saúde, Amanda Mailio.

Zé Gotinha argumentou que a fiscalização primária dos contratos de abastecimento cabia aos servidores designados especificamente para essa função. O vereador destacou ainda que a atual administração adotou medidas para apurar os fatos internamente e tem colaborado de forma irrestrita com a Polícia Civil. Agora, as punições civis e criminais dependerão do julgamento e da análise aprofundada por parte das autoridades judiciárias.

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