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O cansaço invisível e a fuga nos excessos

Estamos cansados.

Cansados de correr, de produzir, de dar conta de tudo, de responder mensagens, de cumprir prazos e de sustentar versões de nós mesmos que parecem fortes o tempo inteiro.

E talvez, o mais curioso seja que, enquanto tentamos seguir em frente, quase todos carregamos batalhas silenciosas. Lutas internas que nem sempre aparecem nas fotos, nos stories ou nas conversas rápidas do dia a dia. Inseguranças, medos, frustrações, dores antigas, cobranças excessivas, perdas, culpas e preocupações que ninguém vê por completo.

E, sem perceber, passamos a procurar uma cura para esse esgotamento em excessos e tornamos excessos no “tentar preencher”. Alguns treinam até a exaustão, acreditando que mais uma série vai aliviar o peso que carregam, outros trabalham sem parar, buscando no próximo resultado uma sensação de satisfação que dura apenas alguns instantes, há quem se perca por horas no celular, consumindo conteúdos sem fim, tentando se distrair dos próprios pensamentos.



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Comemos demais, compramos demais, dormimos demais, ou dormimos de menos.

Porque, muitas vezes, o excesso não fala sobre prazer. Fala sobre tentativa de alívio, de preencher vazios, anestesiar dores, controlar angústias ou fugir, ainda que por alguns momentos, das batalhas que acontecem dentro de nós.

Mas, aquilo que fazemos em excesso raramente cura. Apenas nos distrai temporariamente daquilo que precisa ser acolhido.

O problema não está necessariamente no trabalho, no treino, no celular, na comida ou em qualquer outra atividade. O problema surge quando transformamos essas coisas em refúgio permanente para não entrar em contato com o que sentimos.

Talvez a cura que tanto procuramos não esteja em fazer mais, produzir mais ou ocupar cada segundo do dia. Talvez esteja em olhar para dentro com mais empatia conosco e reconhecer nossos limites, em descansar sem culpa, aceitar que somos humanos e que todos, sem exceção, travamos batalhas invisíveis.

Nem sempre precisamos de mais estímulos. Às vezes, precisamos apenas de silêncio suficiente para ouvir o que nossa mente e nosso coração tentam nos dizer há muito tempo.

Contato: 18 99808-2411
Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862

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