Neste Dia das Mães, a reflexão propõe um olhar humano para quem cuida, abordando as sobrecargas, as feridas não curadas e a beleza das mulheres que rompem ciclos para amar de forma genuína.
Esse texto não é sobre perfeição! E talvez esse seja um dos maiores enganos que a sociedade ainda insiste em alimentar. Existe uma expectativa quase cruel de que toda mãe seja naturalmente paciente, acolhedora, disponível, forte o tempo todo e capaz de suportar qualquer dor sem falhar. Mas, mães são humanas. E humanidade inclui limites, histórias, feridas, acertos e erros.
Neste Dia das Mães, talvez o mais importante seja olhar para a maternidade de forma mais real e menos romantizada.
Existem mães que acolhem, que protegem, que se reinventam diariamente pelos filhos, que trabalham exaustivamente e ainda chegam em casa tentando dar conta de tudo, mães solo, mães adotivas, avós que ocuparam o lugar de mãe, mulheres que aprenderam a maternar sem nunca terem sido cuidadas.
Mas, também existem mães emocionalmente ausentes, mães que reproduzem dores que nunca elaboraram, mães que machucam, mães que não conseguiram exercer esse papel de forma saudável. Mas, falar sobre isso não diminui a importância da maternidade, apenas a torna mais verdadeira.
A psicologia nos ensina que nao oferecemos aquilo que não recebemos ou aprendemos completamente. Isso não significa justificar violências ou negligências, mas compreender que por trás de muitos comportamentos existem histórias silenciosas, traumas, sobrecargas e uma solidão emocional que quase nunca é vista.
Ainda assim, há algo profundamente bonito nas mulheres que decidem romper ciclos. Mulheres que, mesmo tendo crescido em ambientes difíceis, escolhem fazer diferente. Que pedem desculpas aos filhos, que procuram ajuda, que aprendem enquanto cuidam, que tentam todos os dias ser um lugar de segurança, mesmo sem terem tido um.
Talvez ser mãe esteja muito mais ligado à capacidade de permanecer tentando amar da melhor forma possível (ou da que seja possível no momento) do que à ideia inalcançável de perfeição.
Neste Dia das Mães, que exista espaço para homenagear as mães amorosas e presentes, mas também para acolher as maternidades reais. Aquelas atravessadas pelo cansaço, pela culpa, pela sobrecarga e pelas imperfeições humanas.
Porque existem muitos tipos de mães. E existem muitas formas de amor também.
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Anne Caroline Viotto Romero
CRP: 06/172862