Alexandre Cachorrão relatou a exoneração de sua secretária e a retirada de seus pertences do Paço Municipal. Atritos envolvem a gestão da UPA e farpas com o Secretário de Governo.
A política assisense vive uma semana de ebulição. O que antes era tratado apenas como rumor nos corredores do Paço Municipal tornou-se público após o vice-prefeito de Assis, Alexandre Cachorrão, utilizar suas redes sociais e programa rádio para expor uma grave crise interna na administração, culminando em um “despejo” do seu gabinete.
O cenário de tensão, considerado inédito na história política recente da cidade, ganhou contornos mais drásticos após duas manifestações públicas em sequência feitas pelo vice-prefeito nesta semana.
O ‘despejo’ e as farpas
A crise atingiu seu ápice nesta terça-feira (14). Em uma nota incisiva, Alexandre afirmou ter sido surpreendido com a solicitação para desocupar o seu gabinete na Prefeitura. Segundo ele, seus pertences foram retirados do local e a sua secretária — uma profissional de sua estrita confiança — foi exonerada do cargo.
No mesmo posicionamento, o vice-prefeito apontou o que considerou uma provocação. Ele mencionou uma publicação feita nas redes sociais pelo atual Secretário de Governo e Administração, Leandro Bergonso, que trazia a frase: “Achou muito rápido? Agora que comecei a acelerar”. Para Alexandre, a postagem contribuiu para ampliar a repercussão negativa e o desgaste do episódio.
O estopim: UPA e falta de diálogo
As evidências do racha começaram a aparecer um dia antes, na segunda-feira (13), quando Cachorrão publicou uma reflexão cobrando maior diálogo e alinhamento institucional da Prefeitura.
O ponto central da queixa foi a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O vice-prefeito afirmou publicamente que não foi convocado e sequer informado sobre as reuniões e decisões recentes relacionadas à unidade de saúde, cobrando transparência e participação nos processos conduzidos pela pasta de Leandro Bergonso.
Bastidores e pré-candidatura
Nos bastidores da política local, as publicações não foram bem recebidas e intensificaram o clima de tensão. Embora a gestão sempre tenha negado a existência de conflitos, as aparições conjuntas entre o prefeito e o vice diminuíram drasticamente ao longo dos meses, e a sequência de fatos desta semana reforça a percepção de uma ruptura iminente — ainda que não oficializada.
Vale lembrar que, no início deste mês de abril, Alexandre Cachorrão deixou o cargo de Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico em cumprimento à legislação eleitoral, visando a sua pré-candidatura a deputado.
A cidade agora acompanha os próximos desdobramentos dessa crise, que coloca em xeque a harmonia e o equilíbrio na condução da gestão pública de Assis.







