Traumas de abusos sofridos na infância ou adolescência podem ficar silenciados por anos e afetar profundamente a saúde mental e os relacionamentos na vida adulta.
Nem sempre as consequências de um abuso ou de um estupro aparecem imediatamente. Muitas vezes, elas surgem anos depois, de formas que a própria pessoa não consegue entender.
Não é raro ouvir adultos dizendo que sempre sentiram um medo difícil de explicar, uma desconfiança constante das pessoas ou um desconforto em determinadas situações. Às vezes, essas sensações acompanham a pessoa por muito tempo, sem que ela consiga identificar exatamente de onde vêm.
Em muitos casos, quando a pessoa começa a olhar com mais cuidado para a própria história, aparece uma lembrança que ficou guardada por anos: uma situação de abuso na infância ou na adolescência.
Imagine uma criança que passa a evitar ficar sozinha com determinada pessoa, que muda o comportamento, fica mais quieta ou mais irritada, começa a ter dificuldades para dormir ou passa a demonstrar medos que antes não existiam. Muitas vezes esses sinais não são compreendidos naquele momento. A criança cresce e aquela experiência acaba ficando silenciada.
Quando a violência acontece na infância, a criança geralmente não tem recursos emocionais ou maturidade para entender o que ocorreu. Ela pode apenas sentir que algo foi errado ou confuso, mas sem conseguir colocar isso em palavras.
Na adolescência ou na vida adulta, os efeitos também podem aparecer de várias formas. Ansiedade, tristeza persistente, dificuldade de confiar nas pessoas, problemas nos relacionamentos ou sentimentos de vergonha e culpa são algumas das consequências que podem surgir ao longo do tempo.
Cada pessoa reage de um jeito. Algumas conseguem falar sobre o que aconteceu mais cedo, outras levam muitos anos para conseguir reconhecer ou nomear aquela experiência.
Quando se fala em violência sexual, não se trata apenas de um episódio isolado, é uma experiência que pode deixar marcas profundas e que muitas vezes permanece em silêncio por muito tempo.
Por isso, olhar para esses sinais com atenção, oferecer escuta e apoio adequado pode ser um passo importante para que quem passou por esse tipo de violência não precise lidar com essa história sozinho.
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Anne Caroline Viotto Romero
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