Em sua nova reflexão, a colunista e psicóloga aborda o peso da autocobrança exaustiva, o medo da vulnerabilidade e o tabu silencioso de não aceitar ajuda.
É ilusório achar que podemos dar conta de tudo sozinhos! Vivemos em sociedade e precisamos de uns aos outros para sobrevivência. Precisamos muito mais! Precisamos de cuidado e sentir que merecemos.
A gente cresce aprendendo a cuidar, dar conta, ser forte. E, em algum momento, começa a confundir valor com desempenho. Como se merecer cuidado dependesse de quanto a gente aguenta, resolve, sustenta.
Mesmo assim, quando o cuidado chega, algo trava. Vem o desconforto, a dúvida, às vezes até um impulso de recusar. Não porque a gente não quer, mas porque, lá no fundo, parece que precisa justificar, se virar. Como se fosse preciso estar exausto o suficiente, quebrado o suficiente, para então “ter direito” de receber.
Receber cuidado não é prêmio, não é algo que você conquista quando já fez tudo sozinho.
Só que isso esbarra em um tabu silencioso: o de que a gente precisa ser suficiente o tempo todo. Dar conta de tudo. Não precisar. Não depender. Como se isso fosse sinal de força, quando, muitas vezes, é só um jeito de se proteger.
Aceitar ajuda e cuidado, expõe! Não só a limitação, mas também a vulnerabilidade de confiar. Uma estranha sensação pra quem já se acostumou a ter o controle.
E aí a gente recusa, diminui o gesto do outro, diz que não precisa.
Se permitir faz parte! As vezes não sabemos, não damos conta e está tudo bem. É nessa hora que precisamos permitir receber… sem culpa, sem dívida, sem precisar provar nada antes.
Porque você não precisa estar no limite para merecer cuidado.
Quebrar o ciclo começa quando se deixa a autocobrança exaustiva ir embora. Quem cuida, também merece ser cuidado!
Psicóloga: Anne Caroline Viotto Romero
Contato: 18 99808-2411
CRP: 06/172862







