Vídeo em que o vereador Fernando Sirchia fiscaliza o posto de trabalho do Dr. Fabiano Morelli foi publicado pela TV Câmara e apagado; médico estava em consulta de saúde.
A Associação Paulista de Medicina (APM) emitiu uma Nota Pública Institucional nesta sexta-feira, 20 de março, após a grande repercussão de um vídeo envolvendo o vereador Fernando Sirchia e o médico da rede municipal, Dr. Fabiano Morelli.
O episódio teve início na última quinta-feira (19), quando a TV Câmara de Assis veiculou uma reportagem investigativa em que o Vereador Fernando Sirchia realizava uma “fiscalização” no posto de trabalho do Dr. Fabiano Morelli.

Imagem: TV Câmara Assis
O parlamentar junto a TV Câmara Assis registraram o momento em que o Médico chega e sai do ambulatório de especialidades (ao lado do Mercadão) e questionando o paradeiro do servidor. A reportagem da TV Câmara até entrou em contato com o consultório do Dr. Fabiano para “agendar” uma consulta.
No entanto, o Dr. Fabiano Morelli atestou que sua ausência ocorreu estritamente por motivos de saúde, uma vez que ele estava em uma consulta médica no exato momento da gravação. Apesar da justificativa atestada pelo profissional, o vereador demonstrou desconfiança nas imagens. Após a forte repercussão do caso na cidade, o vídeo foi apagado dos canais oficiais da TV Câmara Assis.
Antes do fechamento desta matéria Acontece Assis procurou o Vereador Fernando Sirchia para se manifestar a respeito mas não obtemos reposta.
Portal Acontece Assis fica a disposição do vereador Fernando Sirchia caso ele queira se manifestar.
Posicionamento da Associação Médica
Diante da exposição do profissional, a APM Assis publicou um documento alertando sobre os limites legais e éticos das fiscalizações promovidas por agentes políticos. A entidade destacou que a exposição pública sem apuração prévia pode gerar danos irreparáveis e alertou sobre o uso de estruturas públicas para constrangimento de servidores.
Confira abaixo a nota pública na íntegra, assinada pela diretoria da associação:
NOTA PÚBLICA INSTITUCIONAL
A Associação Médica Regional de Assis filiada a Associação Paulista de Medicina, no exercício de suas atribuições institucionais de representação, defesa e valorização da classe médica, vem a público manifestar preocupação com recentes episódios envolvendo a atuação de agentes públicos no acompanhamento e fiscalização de serviços de saúde no município de Assis.
A fiscalização da administração pública constitui prerrogativa legítima dos representantes eleitos, sendo elemento essencial do regime democrático. Contudo, tal prerrogativa deve ser exercida dentro dos limites legais, constitucionais e éticos, com observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Nesse contexto, a Associação Médica Regional de Assis ressalta que:
- O ambiente de assistência à saúde é espaço técnico e sensível, que envolve não apenas profissionais, mas também pacientes em situação de vulnerabilidade, exigindo respeito absoluto à privacidade, ao sigilo e à dignidade humana.
- A atividade médica possui natureza técnica e regulamentada, não sendo admissível interferência externa que comprometa a autonomia profissional, a segurança do ato médico ou a qualidade da assistência prestada à população.
- A exposição pública de profissionais sem apuração prévia, contraditório e ampla defesa configura prática incompatível com o Estado de Direito, podendo gerar danos irreparáveis à honra, à imagem e à reputação dos envolvidos.
- O uso de imagens, gravações ou qualquer forma de registro audiovisual em ambientes de saúde, sem autorização formal e sem respaldo institucional, deve respeitar os limites legais, incluindo as normas de proteção de dados, sigilo profissional e direitos de personalidade.
- A utilização de estruturas públicas para fins que possam caracterizar promoção pessoal ou constrangimento de servidores deve ser rigorosamente evitada, sob pena de responsabilização nas esferas administrativa, civil e penal.
A APM de Assis reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência à saúde e com a transparência na gestão pública, colocando-se à disposição das autoridades municipais para o diálogo institucional construtivo, visando o aperfeiçoamento dos serviços prestados à população.
Entretanto, a entidade não se furtará de adotar as medidas legais cabíveis, em todas as esferas competentes, sempre que houver violação de prerrogativas profissionais, abuso de autoridade ou afronta aos direitos fundamentais dos médicos.
Por fim, reforçamos que a valorização do profissional médico e o respeito às condições adequadas de trabalho são pilares indispensáveis para a manutenção de um sistema de saúde eficiente, ético e seguro para toda a sociedade.
Assis, 20 de março de 2026.
Dr. Juarez de Paula – Presidência
Dr. Carlos Izaias Sartorão Filho – Vice-Presidência
Dr. Roberto de Mello – Diretor de Defesa Profissional







