“Comida de Verdade”: EUA adotam novo guia alimentar inspirado no Brasil, mas com foco em proteínas

Mudança radical nas diretrizes americanas valoriza alimentos in natura e coloca carnes e laticínios no topo da prioridade; especialista aponta benefícios para o mercado brasileiro

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, anunciou na quarta-feira, 7 de janeiro, uma reformulação histórica em suas diretrizes nutricionais. A nova “pirâmide alimentar invertida”, divulgada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, rompe com décadas de tradição ao priorizar proteínas animais e gorduras saudáveis, incentivando a população a consumir o que chama de “comida de verdade” (real food).

A iniciativa, liderada pelo secretário Robert F. Kennedy Jr., reflete as prioridades do programa MAHA (Make America Healthy Again). O novo modelo sugere que a base da alimentação americana deixe de ser os grãos e passe a ser composta por alimentos integrais ou minimamente processados, como bifes, queijos e leite integral.



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Como funciona a nova pirâmide Diferente da versão original de 1992, que possuía seis seções complexas, a nova pirâmide de 2026 é simplificada em apenas três grupos principais, organizados por ordem de importância sugerida:

  1. Proteínas, laticínios e gorduras saudáveis: Ocupam o destaque central.
  2. Vegetais e frutas: Combinados em uma única categoria.
  3. Grãos integrais: Antes a base da dieta, agora compõem a menor porção recomendada.

Os doces foram totalmente removidos do gráfico e as menções ao álcool foram reduzidas a um conselho genérico de “beber menos”. O site oficial da iniciativa, http://realfood.gov , apresenta um design minimalista e nostálgico, lembrando revistas de saúde dos anos 70, mas tem recebido críticas de designers por não deixar clara a proporção exata de cada grupo sem o uso de calculadoras online.

Semelhanças e Diferenças com o Brasil A nova diretriz americana valida, com atraso, um conceito que o Brasil defende há quase duas décadas. O Guia Alimentar para a População Brasileira (reconhecido mundialmente desde sua edição de 2014) foi pioneiro ao classificar os alimentos pelo nível de processamento, recomendando evitar ultraprocessados.

A versão americana adota essa lógica de “comida de verdade” (in natura), mas com uma diferença nutricional crucial: enquanto o guia brasileiro recomenda uma base majoritariamente vegetal (arroz, feijão, raízes e legumes), a proposta de Kennedy coloca a proteína animal e as gorduras no centro da dieta.


Análise: O Impacto Positivo para o Brasil

A mudança de postura na maior economia do mundo pode gerar reflexos extremamente positivos para o Brasil em duas frentes: Econômica e Científica.

  1. Impulso ao Agronegócio (Proteína Animal) O Brasil é, atualmente, o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo. Segundo dados da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), o país exporta para mais de 150 nações.
  • O Efeito: Quando os EUA — formadores de tendências globais — recomendam oficialmente o aumento do consumo de proteínas, carnes e laticínios, isso combate narrativas globais que tentam reduzir o consumo de carne.
  • A Oportunidade: Isso tende a manter a demanda internacional aquecida. Mesmo que os EUA protejam seu mercado interno, a validação nutricional fortalece a imagem da proteína animal no mercado global, beneficiando diretamente os frigoríficos e produtores brasileiros.
  1. Validação da Ciência Brasileira O conceito de separar comida por “nível de processamento” (In Natura vs. Ultraprocessado) foi criado pelo núcleo de pesquisas epidemiológicas da USP (Universidade de São Paulo).
  • O Reconhecimento: Ao adotar a retórica de “minimamente processados” e combater a “comida industrializada”, os EUA chancelam a tese científica brasileira. Isso coloca o Brasil na vanguarda da discussão sobre saúde pública global, fortalecendo nossas instituições de pesquisa.

Histórico de Mudanças Esta é a terceira grande revisão visual das diretrizes americanas.

  • 1992: A pirâmide clássica, com base em carboidratos (pães e massas).
  • 2005: A MyPyramid, que tentou incluir atividade física mas foi considerada confusa.
  • 2011: O MyPlate (Meu Prato), que abandonou a forma de pirâmide por um gráfico de pizza.
  • 2026: A volta da Pirâmide (Invertida/Simplificada), com foco político e nutricional na “comida real”.

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